5 de fev de 2012

Nova Cracolândia e o acampamento da FLM no Centro de SP

Estava lendo a coluna dominical do Ferreira Gullar, que falava da Bossa Nova, do Concretismo e neo-concretismo, Botafogo, Vinicius quando um amigo mandou um SMS dizendo que estava aguardando o documento que fiquei de entregar para ele.


Apesar de ansiar pelo fim da história do poeta, desci e não quis mais voltar depois da entrega.


Saí mais uma vez a esmo pelas ruas do centro de São Paulo.
Talvez alguém me pergunte: mas de novo?
Tenho que admitir que estou prestes a deixar de morar no centro, e por algum motivo que certamente Freud explicaria se já não tivesse sido comido pelos bichos, essa sanha por andar  por esta região se abate sobre mim.


Ao sair, me deparo com o acampamento do FLM (Frente de Luta por Moradia) e ao passar vagarosamente pelo que parece uma baderna ou um bando de vagabundos como grande parte das pessoas e dos formadores de opinião imagina, vejo um ordem tremenda. As pessoas conversam sério ou riem, ouvem música (nada de Michel Teló ou o novo funk carioca, mas músicas "engajadas"), mas não vejo uma garrafa ou lata de cerveja ou bebida alcoólica alguma, logo, não há aquela fuzarca que vi ontem à noite na região da Joaquim Távora na Vila Mariana, onde se divertia parte da juventude de classe média e rica da região.
Que revolução haveria de os jovens das classes menos abastadas deixassem de beber, fumar e ver tanto futebol para se organizarem.... Não seria preciso criar um mito como o Lula, pois organizadamente, esse pessoal dominaria o país e faria a juventude com mais grana e que só se diverte a repensar seus modos de vida e valores, e quem sabe, estes não se uniriam aos movimentos e juntos todos lutariam pelo fim da corrupção endêmica e de parte das mazelas sociais que nos assolam.


Continuando o "passeio", segui em frente pela Avenida São João e subi o Minhocão pela rampa de acesso acima do povoroso terminal de ônibus Amaral Gurgel.
Do nada, me deparo com um morador de rua entrando no elevado saindo de um acampamento emprovisado ao lado e sigo em frente, acompanhado de vários andarilhos e corredores. Andando pelo Minhocão retorno à visão dos prédios outrora ocupados pela grã-finagem paulista até me deparar com um belo prédio certamente construído antes do famigerado: pintado de amarelo e rosa, agora é ocupado por um Motel (foto abaixo).


Percorro o percurso onde vários casais namoram sob alguns postes de luz queimados, vou até a Rua da Consolação e retorno.


Movido pela minha habitual curiosidade pego a Avenida Duque de Caxias e me dirijo para a Rua Helvétia próximo à Sala São Paulo. Ao chegar lá, realmente, a Cracolândia se mudou. Uma base móvel da Polícia Militar ocupa o local e vários outros veículos passam para lá e para cá....


Não satisfeito, começo a ziguezaguear pelas ruas da região em busca do novo ponto de venda e revenda da maldita até que cruzando a Avenida Rio Branco ouço um burburinho na altura da Rua dos Gusmões. Entro por ela e já me deparo com a muvuca localizada exatamente entre a Rua Guaianazes e a Alameda Barão de Limeira (pertinho da sede da Folha de S. Paulo). Quando chego e me aproximo sinto olhares estranhos uma agitação entre as pessoas que não era comum nos outros pontos quando eu chegava a passar no meio da feira livre.
De repente, um jovem com cerca de 20 anos grita: o que você quer? Não dou atenção e me retiro, mas meus pensamentos permanecem ali enquanto contorno pela Rua Vitória a nova Cracolândia a caminho da São João.


Já perto de casa passo pelo acampamento novamente e vejo o pessoal em estado de vigilância permanência, pois ao menor sinal de esmorecimento ou descuido é possível que sejam retirados de onde estão.

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