FERNANDO DE BARROS E SILVA
Por que não reagimos?
SÃO PAULO - Por que os brasileiros não reagem à corrupção? Por que a indignação resulta apenas numa uma carta enviada à Redação ou numa coluna de jornal? Por que ela não se transforma em revolta, não mobiliza as pessoas, não toma as ruas? Por que tudo, no Brasil, termina em Carnaval ou em resmungo?
A pergunta inicial não foi feita por um brasileiro -o que é sintomático. Foi Juan Arias, correspondente do jornal "El País" no Brasil, quem a formulou num artigo recente. "
Es que los brasileños no saben reaccionar frente a la hipocresía y falta de ética de muchos de los que les gobiernan?". Y entonces???
Não existe resposta simples aqui. Em primeiro lugar, a vida de milhões de brasileiros melhorou nos últimos anos, mesmo sob intensa corrupção, e apesar dela. Ninguém que leve o materialismo a sério pode desconsiderar esse dado básico.
Além disso, o PT, na prática, estatizou os movimentos sociais. Da UNE ao MST, passando pelas centrais sindicais, todos recebem dinheiro do governo. Foram aliciados. São entusiastas e sócios do poder, coniventes com os desmandos porque têm interesses a preservar, como o PR de Valdemar e Pagot.
Há ainda um terceiro aspecto, menos óbvio, que leva muita gente progressista a se encolher diante da corrupção. É a ideia introjetada de que qualquer movimento político ou mobilização contra a bandalha acaba sendo uma reedição do espírito udenista, coisa da direita ou que serve a seus propósitos. O lulismo soube explorar esse enredo, como se estivesse em jogo no mensalão uma disputa entre Vargas (o pai dos pobres nacionalista) e Lacerda (o moralista a serviço das elites).
Lula nunca moveu uma palha para mudar o sistema político podre que o beneficiou. Com a corrupção sob seu nariz, preferiu posar de vítima da imprensa golpista. Enquanto isso, seus aliados, no PT ou à direita, golpeavam os cofres da Viúva, exatamente como sempre neste país. Está aí a gangue dos Transportes, na estrada há 10 anos.
Retirado da Folha de S. Paulo de 20/07/2011.
20 de jul. de 2011
19 de jul. de 2011
A tentação totalitária - LUIZ FELIPE PONDÉ
| Primeiro vem a certeza de si mesmo como agente do "bem total", depois você vira autoritário em nome dele |
VOCÊ SE considera uma pessoa totalitária? Claro que não, imagino. Você deve ser uma pessoa legal, somos todos.
Às vezes, me emociono e choro diante de minhas boas intenções e me pergunto: como pode existir o mal no mundo? Fossem todos iguais a mim, o mundo seria tão bom... (risadas).
Totalitários são aqueles skinheads que batem em negros, nordestinos e gays.
Mas a verdade é que ser totalitário é mais complexo do que ser uma caricatura ridícula de nazista na periferia de São Paulo.
A essência do totalitarismo não é apenas governos fortes no estilo do fascismo e comunismo clássicos do século 20.
Chama minha atenção um dado essencial do totalitarismo, quase sempre esquecido, e que também era presente nos totalitarismos do século 20.
Você, amante profundo do bem, sabe qual é? Calma, chegaremos lá.
Você se lembra de um filme chamado "Um Homem Bom", com Viggo Mortensen, no qual ele é um cara legal, um professor universitário não simpatizante do nazismo (o filme se passa na Alemanha nazista), e que acaba sendo "usado" pelo partido?
Pois bem. Neste filme, há uma cena maravilhosa, entre outras. Uma cena num parque lindo, verde, cheio de árvores (a propósito, os nazistas eram sabidamente amantes da natureza e dos animais), famílias brincando, casais se amando, cachorros correndo, até parece o Ibirapuera de domingo.
Aliás, este é um dos melhores filmes sobre como o nazismo se implantou em sua casa, às vezes, sem você perceber e, às vezes, até achando legal porque graças a ele (o partido) você arrumaria um melhor emprego e mais estabilidade na vida.
Fosse hoje em dia, quem sabe, um desses consultores por aí diria, "para ter uma melhor qualidade de vida".
E aí, a jovem esposa do professor legal (ele acabara de trocar sua esposa de 40 anos por uma de 25 -é, eu sei, banal como a morte) o puxa pelo braço querendo levá-lo para o comício do partido que ia rolar naquele domingão no parque onde as famílias iam em busca de uma melhor qualidade de vida.
Mas ele não tem nenhuma vontade de ir para o comício porque sente um certo "mal-estar" com aquilo tudo. Mas ela, bonita, gostosa, loira, jovem e apaixonada (não se iluda, um par de pernas e uma boca vermelha são mais fortes do que qualquer "visão política de mundo"), diz: "meu amor, tanta gente junta querendo o bem não pode ser tão mal assim".
É, meu caro amante do bem, esta frase é uma das melhores definições do processo, às vezes invisível, que leva uma pessoa a ser totalitária sem saber: "quero apenas o bem de todos".
Aí está a característica do totalitarismo que sempre nos escapa, porque ficamos presos nas caricaturas dos skinheads: aquelas pessoas, sim, se emocionavam e choravam diante de tanta boa vontade, diante de tanta emoção coletiva e determinação para o bem.
Esquecemos que naqueles comícios, as pessoas estavam ali "para o bem".
Se você tem absoluta certeza que "você é do bem", cuidado, um dia você pode chorar num comício achando que aquilo tudo é lindo e em nome de um futuro melhor.
E se essa certeza vier acompanhada de alguma "verdade cientifica" (como foi comum nos totalitarismos históricos) associada a educadores que querem "fazer seres humanos melhores" (como foi comum nos totalitarismos históricos) e, finalmente, se tiver a ambição política, aí, então, já era.
Toda vez que alguém quiser fazer um ser humano melhor, associando ciência (o ideal da verdade), educação (o ideal de homem) e política (o ideal de mundo), estamos diante da essência do totalitarismo.
O que move uma personalidade totalitária é a certeza de que ela está fazendo o "bem para todos", não é a vontade de destruir grupos diferentes do dela.
Primeiro vem a certeza de si mesmo como agente do "bem total", depois você vira autoritário em nome desse bem total.
O melhor antídoto para a tentação do totalitarismo não é a certeza de um "outro bem", mas a dúvida acerca do que é o bem, aquilo que desde Aristóteles chamamos de prudência, a maior de todas as virtudes políticas.
Não confio em ninguém que queira criar um homem melhor.
Mais crack
Em mais uma ida, desta vez involuntária até a padaria mais próxima, para as ruas acometidas pela presença de usuários de crack notei o de sempre: a Polícia Militar e Guarda Civil tocando as pessoas de um lado para o outro como se fossem galinha no galinheiro ou gado no pasto.
Entretanto, o clima nas ruas Guaianazes, Timbirás, Vitória, Aurora, Praça Júlio Mesquita, pertinho da avenida São João, estava diferente.
Ao invés de estarem abobalhados como de costume, os usuários estavam irritados:
Um deles passou ao meu lado enfiando um punhal brilhante no cinto.
Outro passou correndo falando palavrões.
Mais três passaram tropeçando olhando-me com olhares lúgubres.
Depois de tentar ampliar o caminho de volta como sempre faço, admito que senti certo medo e pânico e voltei para a São João rapidinho deixando para trás aquele ambiente de guerra sem bombas.
Engraçado é que ontem à noite quase me enganavam!
Assisti ao filme The Fighter (O Lutador) onde o Christian Batman Bale fez o papel de um ex-lutador viciado em crack. No filme, o viciado em crack é um tanto inofensivo e até divertido, o mesmo acontecendo com seus amigos viciados.
Vi que era algo totalmente diferente da realidade vivente nas áreas pobres onde o crack domina almas, mentes e corpos e em alguns momentos tornam os usuários de drogas bastante violentos.
Entretanto, o clima nas ruas Guaianazes, Timbirás, Vitória, Aurora, Praça Júlio Mesquita, pertinho da avenida São João, estava diferente.
Ao invés de estarem abobalhados como de costume, os usuários estavam irritados:
Um deles passou ao meu lado enfiando um punhal brilhante no cinto.
Outro passou correndo falando palavrões.
Mais três passaram tropeçando olhando-me com olhares lúgubres.
Depois de tentar ampliar o caminho de volta como sempre faço, admito que senti certo medo e pânico e voltei para a São João rapidinho deixando para trás aquele ambiente de guerra sem bombas.
Engraçado é que ontem à noite quase me enganavam!
Assisti ao filme The Fighter (O Lutador) onde o Christian Batman Bale fez o papel de um ex-lutador viciado em crack. No filme, o viciado em crack é um tanto inofensivo e até divertido, o mesmo acontecendo com seus amigos viciados.
Vi que era algo totalmente diferente da realidade vivente nas áreas pobres onde o crack domina almas, mentes e corpos e em alguns momentos tornam os usuários de drogas bastante violentos.
16 de jul. de 2011
Craqueiras e craqueiros - Drauzio Varella
Não curto tudo que ele escreve, mas podemos pensar a respeito do que ele diz.
Sou testemunha dos efeitos do crack aqui no centro de SP.
DRAUZIO VARELLA
A CONTRAGOSTO, sou daqueles a favor da internação compulsória dos dependentes de crack.
Peço a você, leitor apressado, que me deixe explicar, antes de me xingar de fascista, de me acusar de defensor dos hospícios medievais ou de se referir à minha progenitora sem o devido respeito.
A epidemia de crack partiu dos grandes centros urbanos e chegou às cidades pequenas; difícil encontrar um lugarejo livre dessa praga.
Embora todos concordem que é preciso combatê-la, até aqui fomos incapazes de elaborar uma estratégia nacional destinada a recuperar os usuários para reintegrá-los à sociedade.
De acordo com a legislação atual, o dependente só pode ser internado por iniciativa própria. Tudo bem, parece democrático respeitar a vontade do cidadão que prefere viver na rua do que ser levado para onde não deseja ir. No caso de quem fuma crack, no entanto, o que parece certo talvez não o seja.
No crack, como em outras drogas inaladas, a absorção no interior dos alvéolos pulmonares é muito rápida: do cachimbo ao cérebro a cocaína tragada leva de seis a dez segundos. Essa ação quase instantânea provoca uma onda de prazer avassalador, mas de curta duração, combinação de características que aprisiona o usuário nas garras do traficante.
Como a repetição do uso de qualquer droga psicoativa induz tolerância, o barato se torna cada vez menos intenso e mais fugaz. Paradoxalmente, entretanto, os circuitos cerebrais que nos incitam a buscar as sensações agradáveis que o corpo já experimentou permanecem ativados, instigando o usuário a fumar a pedra seguinte, mesmo que a recompensa seja ínfima; mesmo que desperte a paranoia persecutória de imaginar que os inimigos entrarão por baixo da porta.
A simples visão da droga enlouquece o dependente: o coração dispara, as mãos congelam, os intestinos se contorcem em cólicas e a ansiedade toma o corpo todo; podem surgir náuseas, vômitos e diarreia.
Quebrar essa sequência perversa de eventos neuroquímicos não é tão difícil: basta manter o usuário longe da droga, dos locais em que ele a consumia e do contato com pessoas sob o efeito dela. A cocaína não tem o poder de adição que muitos supõem, não é como o cigarro cuja abstinência leva o fumante ao desespero esteja onde estiver.
Vale a pena chegar perto de uma cracolândia para entender como é primária a ideia de que o craqueiro pode decidir em sã consciência o melhor caminho para a sua vida. Com o crack ao alcance da mão, ele é um farrapo automatizado sem outro desejo senão o de conseguir mais uma pedra.
Veja a hipocrisia: não podemos interná-lo contra a vontade, mas devemos mandá-lo para a cadeia assim que ele roubar o primeiro transeunte.
A facção que domina a maioria dos presídios de São Paulo proíbe o uso de crack: prejudica os negócios. O preso que for surpreendido fumando apanha de pau; aquele que traficar morre. Com leis tão persuasivas, o crack foi banido: craqueiras e craqueiros presos que se curem da dependência por conta própria.
Não seria mais sensato construirmos clínicas pelo país inteiro com pessoal treinado para lidar com dependentes? Não sairia mais em conta do que arcar com os custos materiais e sociais da epidemia?
É claro que não sou ingênuo a ponto de acreditar que, ao sair desses centros de tratamento, o ex-usuário se tornaria cidadão exemplar; a doença é recidivante. Mas pelo menos ele teria uma chance. E se continuasse na cracolândia?
E, se ao receber alta contasse com apoio psicológico e oferta de um trabalho decente, desde que se mantivesse de cara limpa documentada por exames periódicos rigorosos, não aumentaria a probabilidade de permanecer em abstinência?
Países, como a Suíça, que permitiam o uso livre de drogas em espaços públicos, abandonaram a prática ao perceber que a mortalidade aumenta. Nós convivemos com cracolândias a céu aberto sem poder internar seus habitantes para tratá-los, mas exigimos que a polícia os prenda quando nos incomodam. Existe estratégia mais estúpida?
Faço uma pergunta a você, leitor, que discordou de tudo o que acabo de dizer: se fosse seu filho, você o deixaria de cobertorzinho nas costas dormindo na sarjeta?
Sou testemunha dos efeitos do crack aqui no centro de SP.
DRAUZIO VARELLA
Não seria mais sensato construir clínicas pelo país com pessoal treinado para lidar com dependentes? |
A CONTRAGOSTO, sou daqueles a favor da internação compulsória dos dependentes de crack.
Peço a você, leitor apressado, que me deixe explicar, antes de me xingar de fascista, de me acusar de defensor dos hospícios medievais ou de se referir à minha progenitora sem o devido respeito.
A epidemia de crack partiu dos grandes centros urbanos e chegou às cidades pequenas; difícil encontrar um lugarejo livre dessa praga.
Embora todos concordem que é preciso combatê-la, até aqui fomos incapazes de elaborar uma estratégia nacional destinada a recuperar os usuários para reintegrá-los à sociedade.
De acordo com a legislação atual, o dependente só pode ser internado por iniciativa própria. Tudo bem, parece democrático respeitar a vontade do cidadão que prefere viver na rua do que ser levado para onde não deseja ir. No caso de quem fuma crack, no entanto, o que parece certo talvez não o seja.
No crack, como em outras drogas inaladas, a absorção no interior dos alvéolos pulmonares é muito rápida: do cachimbo ao cérebro a cocaína tragada leva de seis a dez segundos. Essa ação quase instantânea provoca uma onda de prazer avassalador, mas de curta duração, combinação de características que aprisiona o usuário nas garras do traficante.
Como a repetição do uso de qualquer droga psicoativa induz tolerância, o barato se torna cada vez menos intenso e mais fugaz. Paradoxalmente, entretanto, os circuitos cerebrais que nos incitam a buscar as sensações agradáveis que o corpo já experimentou permanecem ativados, instigando o usuário a fumar a pedra seguinte, mesmo que a recompensa seja ínfima; mesmo que desperte a paranoia persecutória de imaginar que os inimigos entrarão por baixo da porta.
A simples visão da droga enlouquece o dependente: o coração dispara, as mãos congelam, os intestinos se contorcem em cólicas e a ansiedade toma o corpo todo; podem surgir náuseas, vômitos e diarreia.
Quebrar essa sequência perversa de eventos neuroquímicos não é tão difícil: basta manter o usuário longe da droga, dos locais em que ele a consumia e do contato com pessoas sob o efeito dela. A cocaína não tem o poder de adição que muitos supõem, não é como o cigarro cuja abstinência leva o fumante ao desespero esteja onde estiver.
Vale a pena chegar perto de uma cracolândia para entender como é primária a ideia de que o craqueiro pode decidir em sã consciência o melhor caminho para a sua vida. Com o crack ao alcance da mão, ele é um farrapo automatizado sem outro desejo senão o de conseguir mais uma pedra.
Veja a hipocrisia: não podemos interná-lo contra a vontade, mas devemos mandá-lo para a cadeia assim que ele roubar o primeiro transeunte.
A facção que domina a maioria dos presídios de São Paulo proíbe o uso de crack: prejudica os negócios. O preso que for surpreendido fumando apanha de pau; aquele que traficar morre. Com leis tão persuasivas, o crack foi banido: craqueiras e craqueiros presos que se curem da dependência por conta própria.
Não seria mais sensato construirmos clínicas pelo país inteiro com pessoal treinado para lidar com dependentes? Não sairia mais em conta do que arcar com os custos materiais e sociais da epidemia?
É claro que não sou ingênuo a ponto de acreditar que, ao sair desses centros de tratamento, o ex-usuário se tornaria cidadão exemplar; a doença é recidivante. Mas pelo menos ele teria uma chance. E se continuasse na cracolândia?
E, se ao receber alta contasse com apoio psicológico e oferta de um trabalho decente, desde que se mantivesse de cara limpa documentada por exames periódicos rigorosos, não aumentaria a probabilidade de permanecer em abstinência?
Países, como a Suíça, que permitiam o uso livre de drogas em espaços públicos, abandonaram a prática ao perceber que a mortalidade aumenta. Nós convivemos com cracolândias a céu aberto sem poder internar seus habitantes para tratá-los, mas exigimos que a polícia os prenda quando nos incomodam. Existe estratégia mais estúpida?
Faço uma pergunta a você, leitor, que discordou de tudo o que acabo de dizer: se fosse seu filho, você o deixaria de cobertorzinho nas costas dormindo na sarjeta?
26 de jun. de 2011
Seres invisíveis
Era uma quarta-feira e saindo do SENAC Consolação comecei minha caminhada até um estacionamento onde estava o carro da minha irmã. Eu tinha que buscá-la no bonito hospital Santa Rita na Vila Mariana.
Como de costume, saí caminhando e já meio esfomeado parei para comer um lanche de carne louca em um ambulante motorizado que fica sempre ali na própria rua Dr. Vila Nova.
Como de costume, havia fila de espera, e enquanto eu esperava, simplesmente apareceu atrás de mim um catador de latinhas. Também como de costume, ele não cheirava bem e caso não houvesse o cheiro, a sujeira era visível em suas roupas, em seu rosto e em suas mãos. Logo ele me pediu um trocado para comer. Ao invés de lhe dar o trocado, ofereci um lanche e uma bebida.
Naquele momento de comunicação, parecia que eu não estava mais acompanhado de outras pessoas. Parece que uma nuvem negra encobriu a mim e ao do catador de latinhas.
As outras pessoas ali presentes sequer notavam a presença dele, mesmo o cara se abaixando enquanto esperava seu lanche para catar duas latinhas que estavam no lixo bem ao lado de duas bonitas garotas.
Apesar da invisibilidade do jovem homem ao meu lado, pude notar que junto com o desprezo cresceu um incômodo em todas as pessoas em volta, mas um incômodo que foi logo deixado de lado, afinal de contas, não vivemos para ver problemas e sim para sermos felizes, não é?
Por fim, o jovem recebeu seu cachorro quente e sua coca-cola, paguei e fui me despedir dele... desta vez, eu me tornei invisível para ele, pois o seu foco era a comida! Sem jeito, sai fora e fui buscar o carro.
No caminho me lembrei de outras andanças que fiz em minhas férias pela capital do Ceará, Fortaleza. Apesar da beleza das praias, não resisti e em alguns momentos inventei de andar pelas ruas distantes da orla. Como todos devem imaginar, me deparei com situação semelhante à de São Paulo. Em frente de imóveis desocupados ou lojas fechadas sempre estavam presentes os moradores de rua. Tão sujos e de mãos estendidas como os daqui.
Admito que em um dos dias à tarde fui cruel: estava com uma garrafinha de água da mão a caminho do Centro Cultural Dragão do Mar e uma mulher pediu a água. Rejeitei e apenas ouvi em seguida: está negando água.... Fui um tolo, admito.
No último dia por lá, mais uma cena terrível. Para terminar minha estadia diante da praia e do calor nordestino, à noite fui até um dos quiosques de praia e pedi uma tainha média assada, baião de dois e uma cerveja importada....
Durante a refeição vários vendedores ambulantes vieram até a areia oferecer seus apetrechos. Claro que um repentista foi até lá e, como de costume, fez um repente utilizando o "japonês". O último ambulante oferecia cintos (quem vai comprar cinto na praia?!). Um minuto depois de oferecer os cintos, quando eu já havia devorado toda a carne do peixe e havia sobrado apenas o arroz do baião e algumas folhas de alface e tomate já meio pretos, o ambulante reapareceu e trocamos as seguintes palavras:
Durante a refeição vários vendedores ambulantes vieram até a areia oferecer seus apetrechos. Claro que um repentista foi até lá e, como de costume, fez um repente utilizando o "japonês". O último ambulante oferecia cintos (quem vai comprar cinto na praia?!). Um minuto depois de oferecer os cintos, quando eu já havia devorado toda a carne do peixe e havia sobrado apenas o arroz do baião e algumas folhas de alface e tomate já meio pretos, o ambulante reapareceu e trocamos as seguintes palavras:
- Licença. Não vendi nada hoje e estou com muita fome. Posso pegar o RESTO?
- Pode.....
- Posso pegar o peixe?
- Mas só tem espinha aí.
- Não tem problema. Olha a cabeça e o rabo...
Providencialmente, ele tinha uma tupperware e jogou toda a comida dentro e foi até a beirinha da praia, se sentou no chão e comeu rapidamente os restos de arroz com espinha de peixe.
Mais uma vez parecia que aquele homem era invisível a todos que estavam no quiosque: um homem de meia-idade (estou quase lá!), dois jovens casais, duas famílias, duas donzelas sorridentes (deviam ser prostitutas pelos olhares que dirigiam a todos os homens que entravam na área do quiosque, como depois de quatro dias já havia percebido, depois de algumas investidas de outras) e aos três atendentes.....
Não sei porque cargas d'água eu fotografei o peixe depois que o comi... a foto ilustra meu texto.
22 de jun. de 2011
20 de jun. de 2011
A década da desilusão
Do desejo de amar
De repressão dos desejos
Ondas poderosas se formaram
E paixões desmedidas criaram.
Flores que na proximidade brotaram
Porém, sob a brava arrebentação
Muitas vezes quase submersas
Fugiram.
Represada tão desmedida paixão, ergueram-se áridos desertos, pura solidão
Muradas rompidas tão somente por prazeres fáceis
Que tentaram em vão esconder a dor e o medo de
Novamente se entregar (e de querer dominar!)
Tempo perdido envolvido em tanto sofrimento, em permanente cegueira, sem se aperceber que bastava os céus contemplar...
Bastava apenas perante o crepúsculo do dia descobrir os movimento das luzes, das cores e das trevas no mesmo espaço, se balanceando, se complementando, se unindo, se misturando até se transformar suavemente em noite.
Aprenda agora.
Amar não é ciência exata, não é força, não é....
Amar é pintura, é desenho suave e também fortes pinceladas.
Amar é navegar entre a loucura e a serenidade.
De repressão dos desejos
Ondas poderosas se formaram
E paixões desmedidas criaram.
Flores que na proximidade brotaram
Porém, sob a brava arrebentação
Muitas vezes quase submersas
Fugiram.
Represada tão desmedida paixão, ergueram-se áridos desertos, pura solidão
Muradas rompidas tão somente por prazeres fáceis
Que tentaram em vão esconder a dor e o medo de
Novamente se entregar (e de querer dominar!)
Tempo perdido envolvido em tanto sofrimento, em permanente cegueira, sem se aperceber que bastava os céus contemplar...
Bastava apenas perante o crepúsculo do dia descobrir os movimento das luzes, das cores e das trevas no mesmo espaço, se balanceando, se complementando, se unindo, se misturando até se transformar suavemente em noite.
Aprenda agora.
Amar não é ciência exata, não é força, não é....
Amar é pintura, é desenho suave e também fortes pinceladas.
Amar é navegar entre a loucura e a serenidade.
11 de jun. de 2011
Uma busca
Quando me perdi de mim mesmo.
E mal sabia quem era ou o que queria.
Me procurei em meu próprio silêncio.
Nada encontrei, exceto trevas.
Trevas entremeadas por gritos, sussurros, raivas e mágoas
sentimentos que pareciam não ter fim.
Arrastando-me lentamente, reconhecendo meus próprios urros,
inesperadamente uma calma pairou na escuridão.
Uma suave luz do abismo surgiu.
Ali, no mais profundo do meu ser, distante de tudo, Tú estavas.
Estavas comigo mesmo sob Teus pés, adormecido e eternecido.
Levantei-me e retornei comigo mesmo pronto para a dura caminhada continar.
24 de mai. de 2011
Solidão coletiva
Mais que escolha afinada com o individualismo dominante, a solidão é doença, dizem estudos novos segundo os quais estamos vivendo uma epidemia
A atriz Maristela Vanini, 39, que mora em São Paulo
GUILHERME GENESTRETI
DE SÃO PAULO
Solidão virou epidemia. Há mais casas habitadas por uma única pessoa e estamos confiando menos uns nos outros, dizem as pesquisas.
Ainda assim, está cada vez mais difícil ficar sozinho. Basta um clique, e centenas de amigos invadem nossos computadores nas redes sociais.
Estar imerso na internet ou ser rodeado de parentes não muda o quadro "epidêmico", diz o psicólogo americano John T. Cacioppo, que é diretor do Centro de Neurociência Cognitiva e Social da Universidade de Chicago (EUA).
Ele é autor de "Solidão ""A Natureza Humana e a Necessidade de Vínculo Social" (Ed. Record), livro que reúne quase 20 anos de suas pesquisas sobre o tema.
O mote é o seguinte: a espécie humana evoluiu graças às relações entre os indivíduos e ao apoio mútuo ao longo do tempo. A solidão vai na direção contrária à da evolução.
"Ela é como a dor ou a fome. É sinal de que algo não vai bem e que precisamos reforçar os vínculos sociais", afirmou Cacioppo à Folha, por telefone.
Os estudos que o autor conduziu, com estudantes da Universidade do Estado de Ohio (EUA) e um grupo de adultos mais velhos, apontaram que os solitários têm uma qualidade de sono pior do que os demais e estão mais propensos a doenças cardiovasculares e infecciosas.
A explicação também tem um quê darwinista: "A solidão crônica coloca a pessoa em estado de alerta constante, porque ela tem que se defender sozinha", diz.
Como resultado, o solitário passa mais tempo com altas concentrações de cortisol, hormônio ligado ao estresse.
O psicoterapeuta Roberto Golgkorn, que também escreveu um livro sobre o tema, "Solidão Nunca Mais" (Ed. Bertrand Brasil), concorda com o colega. Para ele, uma sociedade sem troca de afetos não consegue evoluir.
"Deve haver um fio que costure a identidade de todos, como em um formigueiro, que mais parece um organismo, enquanto as formigas são as células", diz.
SÓ NA MULTIDÃO
A atriz Maristela Vanini, 39, diz que sabe o que é ser solitária na companhia dos outros. Desde os cinco anos, quando ouvia discos do Carpenters em seu quarto, ela afirma se sentir só.
Ela mora com os pais, que a apoiam. "Mas me sinto incompreendida. Em casa não se fala sobre sentimentos."
Seus pais não viram a primeira vez em que ela subiu em um palco como profissional, dez anos atrás.
"Eu cheguei toda animada para contar aquela emoção, mas estavam todos dormindo. Solidão não é opção", diz.
Para o psiquiatra Geraldo Massaro, nem toda solidão é negativa. "A pessoa pode sair enriquecida da solidão, mesmo com sofrimento. Ela pode refletir sobre a própria vida, amadurecer."
Para o vendedor de livros Leonardo Minduri, 35, a solidão é "nobre".
"Estou na sociedade por obrigação. Se eu tivesse outra opção, estaria na montanha, isolado", conta ele, que se diz um eremita urbano.
Há cerca de dois anos, Minduri juntou dinheiro, colocou barraca e fogareiro na mochila e caiu na estrada.
Alternando entre ônibus e carona, ele partiu de Belo Horizonte, onde mora, e foi até Punta Arenas, no Chile.
Com Minduri, só embarcaram livros: Rimbaud, Nietzsche, Schopenhauer e Fernando Pessoa. "Prefiro a companhia deles do que a das pessoas", afirma.
Depois de seis meses vagando, Minduri começou a trocar mensagens com uma moça que conheceu pela internet. Hoje, eles namoram. Mas ela vive a 150 km de distância dele.
CANTO SAGRADO
Orlando Colacioppo, 45, mora há duas décadas sozinho no centro de São Paulo.
Ele diz não sentir falta de ter alguém com quem desabafar em casa. "Para discutir os problemas, existem os amigos e os botecos."
O caso dele tem respaldo estatístico. Nos últimos 20 anos, segundo o IBGE, o número de casas habitadas por uma única pessoa passou de 7% para 12% no Brasil.
"Quanto mais convivência, mais atrito. Eu quero é curtir meu isolamento, no meu canto sagrado", afirma Orlando.
O designer já dividiu o apartamento com uma namorada por dois anos, mas diz que repetir a experiência seria difícil. "Se eu cair de amores, espero que ela tenha uma casa só dela."
REDES SOCIAIS
Compensar solidão física com centenas de amigos no Facebook não resolve, segundo o psicólogo Cacioppo.
"É como tentar matar a fome com aperitivo", compara. "A interação ali é eletrônica, a pessoa não é parte da vivência do amigo."
Para Sherry Turkle, psicóloga e professora do Massachusetts Institute of Technology (EUA), muitos optam pelos relacionamentos na rede por medo de contato íntimo.
"Estar conectado dá a ilusão de termos companhia sem as demandas de uma amizade", disse ela à Folha.
Segundo Turkle, autora do livro "Alone Together", lançado no início do ano, nos EUA, a tecnologia mudou a nossa experiência de solidão.
"Para fazer uma reflexão, precisamos 'postar' nosso pensamento. Assim, não cultivamos a capacidade de ficar sozinhos, de refletir por nós mesmos."
Jelson Oliveira, professor de filosofia da PUC do Paraná, concorda.
"Não sabemos mais ficar sozinhos e buscamos nos ocupar a toda hora, como se ficar sozinho fosse perda de tempo. Ocupamos o silêncio com o barulho".
Colaborou IARA BIDERMAN
SOLIDÃO
AUTORES John T. Cacioppo e William Patrick
EDITORA Record
QUANTO R$ 52,90 (336 págs.)
| Daniel Marenco/Folhapress |
GUILHERME GENESTRETI
DE SÃO PAULO
Solidão virou epidemia. Há mais casas habitadas por uma única pessoa e estamos confiando menos uns nos outros, dizem as pesquisas.
Ainda assim, está cada vez mais difícil ficar sozinho. Basta um clique, e centenas de amigos invadem nossos computadores nas redes sociais.
Estar imerso na internet ou ser rodeado de parentes não muda o quadro "epidêmico", diz o psicólogo americano John T. Cacioppo, que é diretor do Centro de Neurociência Cognitiva e Social da Universidade de Chicago (EUA).
Ele é autor de "Solidão ""A Natureza Humana e a Necessidade de Vínculo Social" (Ed. Record), livro que reúne quase 20 anos de suas pesquisas sobre o tema.
O mote é o seguinte: a espécie humana evoluiu graças às relações entre os indivíduos e ao apoio mútuo ao longo do tempo. A solidão vai na direção contrária à da evolução.
"Ela é como a dor ou a fome. É sinal de que algo não vai bem e que precisamos reforçar os vínculos sociais", afirmou Cacioppo à Folha, por telefone.
Os estudos que o autor conduziu, com estudantes da Universidade do Estado de Ohio (EUA) e um grupo de adultos mais velhos, apontaram que os solitários têm uma qualidade de sono pior do que os demais e estão mais propensos a doenças cardiovasculares e infecciosas.
A explicação também tem um quê darwinista: "A solidão crônica coloca a pessoa em estado de alerta constante, porque ela tem que se defender sozinha", diz.
Como resultado, o solitário passa mais tempo com altas concentrações de cortisol, hormônio ligado ao estresse.
O psicoterapeuta Roberto Golgkorn, que também escreveu um livro sobre o tema, "Solidão Nunca Mais" (Ed. Bertrand Brasil), concorda com o colega. Para ele, uma sociedade sem troca de afetos não consegue evoluir.
"Deve haver um fio que costure a identidade de todos, como em um formigueiro, que mais parece um organismo, enquanto as formigas são as células", diz.
SÓ NA MULTIDÃO
A atriz Maristela Vanini, 39, diz que sabe o que é ser solitária na companhia dos outros. Desde os cinco anos, quando ouvia discos do Carpenters em seu quarto, ela afirma se sentir só.
Ela mora com os pais, que a apoiam. "Mas me sinto incompreendida. Em casa não se fala sobre sentimentos."
Seus pais não viram a primeira vez em que ela subiu em um palco como profissional, dez anos atrás.
"Eu cheguei toda animada para contar aquela emoção, mas estavam todos dormindo. Solidão não é opção", diz.
Para o psiquiatra Geraldo Massaro, nem toda solidão é negativa. "A pessoa pode sair enriquecida da solidão, mesmo com sofrimento. Ela pode refletir sobre a própria vida, amadurecer."
Para o vendedor de livros Leonardo Minduri, 35, a solidão é "nobre".
"Estou na sociedade por obrigação. Se eu tivesse outra opção, estaria na montanha, isolado", conta ele, que se diz um eremita urbano.
Há cerca de dois anos, Minduri juntou dinheiro, colocou barraca e fogareiro na mochila e caiu na estrada.
Alternando entre ônibus e carona, ele partiu de Belo Horizonte, onde mora, e foi até Punta Arenas, no Chile.
Com Minduri, só embarcaram livros: Rimbaud, Nietzsche, Schopenhauer e Fernando Pessoa. "Prefiro a companhia deles do que a das pessoas", afirma.
Depois de seis meses vagando, Minduri começou a trocar mensagens com uma moça que conheceu pela internet. Hoje, eles namoram. Mas ela vive a 150 km de distância dele.
CANTO SAGRADO
Orlando Colacioppo, 45, mora há duas décadas sozinho no centro de São Paulo.
Ele diz não sentir falta de ter alguém com quem desabafar em casa. "Para discutir os problemas, existem os amigos e os botecos."
O caso dele tem respaldo estatístico. Nos últimos 20 anos, segundo o IBGE, o número de casas habitadas por uma única pessoa passou de 7% para 12% no Brasil.
"Quanto mais convivência, mais atrito. Eu quero é curtir meu isolamento, no meu canto sagrado", afirma Orlando.
O designer já dividiu o apartamento com uma namorada por dois anos, mas diz que repetir a experiência seria difícil. "Se eu cair de amores, espero que ela tenha uma casa só dela."
REDES SOCIAIS
Compensar solidão física com centenas de amigos no Facebook não resolve, segundo o psicólogo Cacioppo.
"É como tentar matar a fome com aperitivo", compara. "A interação ali é eletrônica, a pessoa não é parte da vivência do amigo."
Para Sherry Turkle, psicóloga e professora do Massachusetts Institute of Technology (EUA), muitos optam pelos relacionamentos na rede por medo de contato íntimo.
"Estar conectado dá a ilusão de termos companhia sem as demandas de uma amizade", disse ela à Folha.
Segundo Turkle, autora do livro "Alone Together", lançado no início do ano, nos EUA, a tecnologia mudou a nossa experiência de solidão.
"Para fazer uma reflexão, precisamos 'postar' nosso pensamento. Assim, não cultivamos a capacidade de ficar sozinhos, de refletir por nós mesmos."
Jelson Oliveira, professor de filosofia da PUC do Paraná, concorda.
"Não sabemos mais ficar sozinhos e buscamos nos ocupar a toda hora, como se ficar sozinho fosse perda de tempo. Ocupamos o silêncio com o barulho".
Colaborou IARA BIDERMAN
SOLIDÃO
AUTORES John T. Cacioppo e William Patrick
EDITORA Record
QUANTO R$ 52,90 (336 págs.)
29 de mar. de 2011
Filosofia barata e caminhada noturna
Mais uma vez tenho que escrever aqui.
Saí para caminhar as 22 horas e me dirigi, via Avenida São João, até o Largo do Café. Ao chegar ali um bar/restaurante promovia uma noite com samba ao vivo. Dentro do bar estava cheio e fora apenas uma mesa com umas 8 pessoas. Efeito do medo?
Logo depois, passei pela XV de Novembro até o Centro Cultural Banco do Brasil (já fechado, claro!) e voltei por várias ruas até chegar na João Brícola (rua do antigo Banespa e atual Santander... arght!). Todas elas, que durante o dia são ocupadas por profissionais liberais, comerciantes, bancários e funcionários públicos, já haviam se transformado em dormitórios de moradores de rua. Verdadeiros puxadinhos em pleno centro da cidade!
Decidi retornar para o centro novo e passar pela Rua Boa Vista (deu vontade de entrar no Girondino e tomar um café quente) e atravessar o Viaduto Santa Efigênia. Não sem antes contemplar a bela arquitetura do Mosteiro São Bento. Me lembrei de um texto do Monteiro Lobato em que ele dizia que aquele Viaduto vivia lotado e havia até cobrança para quem passava por ele.... Triste vê-lo vazio à noite!
Não resisti e inventei de cruzar a Ipiranga e dar uma olhada na Rua dos Andradas. Ali o governo do estado constrói a sede do Centro Paula Souza e a ETEC Nova Luz (estou com a sensação que será um elefante branco, pois a área administrativa vai ocupar mais espaço que a área escolar, e como a primeira só funciona de dia o quarteirão ficará bem deserto à noite!).
Finalmente cheguei até a rua dos Gusmões, cruzei a rua Santa Efigênia e me deparei com o centro da Cracolândia! Desta vez eu passei pelo meio do turbilhão e olhando sempre à esquerda contei cerca de 210 pessoas até chegar na avenida Ipiranga. Se levar em consideração que o lado da rua que não olhei tinha o mesmo número de pessoas, pode-se contar pelo menos 400 pessoas em apenas um quarteirão traficando e utilizando drogas!
Uma verdadeira Ágora! Eram as praças, locais onde os gregos discutiam filosofia, ou seja, a vida.
Cito a Ágora porque ao chegar em casa, está lá minha irmã assistindo a MERDA do Big Brother Brasil! E pego logo de cara o decaído Pedro Bial se esgoelando na tentativa de defender o programa que ele encabeça. Ele dizia que se os gregos tinham a Ágora no presente temos a TV, e claro, o BBB para discutirmos a vida!
Sinceramente, senti nojo e tentei lembrar dos momentos da história onde a discussão era presente e se tentava, através da troca de idéias até acaloradas discutir os rumos da sociedade ou mesmo da humanidade.
Lembrei dos gregos e também do Cristo falando para as multidões sob barcos e montanhas e de seus primeiros discípulos também nas praças pregando aquilo que acreditavam até serem levados até os leões nas arenas.
Lembrei de Lutero e outros que queimaram nas fogueiras da reforma.
Lembrei dos primeiros trabalhadores na Inglaterra lutando por seus direitos e também do movimento revolucionário em 1968, das Comunidades Eclesiais de Base, dos movimentos estudantis, UNE à frente e seus programas culturais.
Tentei lembrar de algo hoje e.... não me veio nada!
A maior parte dos cristãos estão celebrando, seja em suas enormes catedrais ou ouvindo e assistindo seus pregadores da prosperidade.
Os sindicatos, que deveriam defender os trabalhadores estão partidarizados e só pensam em comer o dinheiro dos governos e das taxas sindicais. Veja o caso dos trabalhadores de Jirau: os sindicatos não sabiam da insatisfação dos trabalhadores. Os sindicatos de funcionários públicos e boa parte destes só pensam em DIMINUIÇÃO DA HORA DE TRABALHO e quase não se toca na questão da qualidade dos serviços à população que nos paga.
A UNE e UBES viram fábricas de carteirinhas, muitas irregulares! E posso provar, em um momento de insensatez anos atrás fiz uma como se fosse estudante de Música na ECA/USP!
E a ONU? Só se mexe quando há Petróleo envolvido! Nos países da África onde houveram grandes massacres, excetuando-se talvez a Somália, os massacres correram soltos e ninguém fez nada!
E assim caminha a humanidade e o Brasil, sem filosofia e perdendo a humanidade...
Assinar:
Postagens (Atom)

