17 de fev. de 2010

Sobre uma cruz

Na Ilha do Mel, no Paraná, de uma praia onde estava avistei uma cruz no alto de um morro.
Aquela cruz chamou tanto minha atenção que retornei pelo caminho quente e aparentemente desolado sobre a areia quente do mormaço que ali fazia.

Não me contentei em me aproximar e tirar as fotos. Fui impelido a subir o morro e o fiz.

A subida não foi fácil, pois depois conversando com um nativo descobri que ele se chama "morro do sabão" devido a dificuldade da subida.

Depois de alguns minutos lá estava eu....  Não sei se de medo do lugar tão estreito onde fora colocada a cruz ou do cansaço da subida, eu estava tremendo. Tive que aguardar um pouco antes de tirar as fotos do que eu via e da própria cruz.

Foi quando pensei no caminho que enfrentado pelos condenados à morte de cruz na famosa gólgota onde Jesus foi crucificado.

Eu fui até lá sem nenhuma cruz, mas muitos outros enfrentaram tal caminho com suas cruzes às costas.
Eu fui lá porque quis ir. Muitos foram até lá obrigados.
Jesus o fez por um designío maior. Só de subir sozinho imagino a dor enfrentada pelos homens que sofreram tal condenação.
Aquela subida me faz pensar o quão beneficiados somos hoje em dia. Não temos que fazer nada por obrigação, nem somos escravizados (infelizmente ainda há muitos escravos, é fato).

Temos liberdade e não sabemos vivê-la.


Hoje temos a opção de ir até a cruz, não temos que levá-la!

8 de fev. de 2010

Mais política! Que droga!

Não consigo ficar quieto quando leio coisas como essas:

"O curioso é que o PT não se deu bem com aquele MDB doutrinário, coerente e programático, mas se dá muito bem com o PMDB de Michel Temer, que vende até a mãe"

O autor da frase acima é o historiador (e tucano) Marco Antônio Villa.

Antes de começar a dizer o quero, tenho que deixar claro que concordo com ele.

Mas acrescento que ele se esqueceu de dizer que o PSDB, antiga banda doutrinária, coerente e programática, se dá muito bem com o ex-governador Orestes Quércia (do mesmo PMDB mas de outra ala paulista), criatura política que, em minha modesta opinião, é de extirpe muito pior que a do Michel Temer, pois vende não só a mãe, mas como um Fausto pós-moderno, vende mas a sua própria alma para ser senador!

Fico fulo com a crítica feita olhando só para um lado e não todos!

30 anos do PT by Fernando Rodrigues na Folha de SP

Eu não poderia deixar de falar em política por aqui!

Por muito tempo pensei que o PT, apesar dos exageros, mudasse a cena deste país onde os donos do poder fazem o que querem dele, tornando pessoal tudo que é público e mandando banana para nós, o povo.

PT, 30 anos BRASÍLIA - O Partido dos Trabalhadores faz 30 anos neste mês. Sua história se divide entre antes e depois de chegar ao poder.
A parte positiva se concentra na colaboração petista para o amadurecimento da democracia durante as duas primeiras décadas de existência da sigla. Desde o fim da ditadura militar, só o PT soube fazer oposição -apesar dos excessos.
O poder fez mal aos petistas. Fez mais mal ainda ao equilíbrio da República. As ferramentas de cobrança de responsabilidade esvaneceram com a chegada de Lula ao Planalto. Basta lembrar o episódio do dia 11 de agosto de 2005.
Naquela data, o marqueteiro Duda Mendonça depôs na CPI do Mensalão. Confessou ter recebido R$ 10,5 milhões numa conta secreta no exterior por serviços prestados na campanha eleitoral de 2002, quando havia produzido os comerciais da campanha de Lula.
Desprovido de oposição, o Brasil assistiu a cenas patéticas na sequência. Petistas choraram no plenário da Câmara. Líderes do PSDB e do Democratas (ainda com seu nome original, PFL) ficaram em estado de catatonia, inertes.
Para saber a falta que o PT faz à oposição, imagine o leitor se a cena tivesse ocorrido no governo FHC, antecessor de Lula. O que aconteceria se em vez de Duda tivesse sido o publicitário Nizan Guanaes a confessar o delito? O PT só sossegaria quando conseguisse a condenação final e enviasse todos para uma temporada em Alcatraz.
Esses tempos não existem mais.
Todos os partidos sabem muito bem o que cada um fez no verão passado. Imobilizados pela culpabilidade mútua, associam-se numa nefanda confraria do silêncio.
A síntese dos 30 anos do PT é o documento assinado pela sigla em conjunto com PSDB e Democratas, a favor de doações eleitorais ocultas. Transparência demais é burrice, ensinou Delúbio Soares. Aos 30 anos, o PT aprendeu bem.

6 de fev. de 2010

Porque gosto de praia?

Nunca pensei a fundo, porque gosto tanto de ir à praia.
Gosto e pronto seria a resposta mais fácil e simples, porém, duas coisas estão bem claras.

Ir à praia me traz esperança.
Assim como uma onda quebra após a outra
Acredito que as oportunidades da vida vem uma após a outra.
A relação aparentemente não é tão simples, por isso, vou explicar.
Eu mesmo e muitas pessoas quando estão dentro do mar buscam a onda perfeita. Para os surfistas a onda perfeita é aquela em que conseguem surfar sobre ela. Para o simples banhista o ápice do pegar onda é o momento em que você desce com a onda ou principalmente quando se chega à onda antes da quebra.
O ato de pegar a onda antes dela quebrar é o que mais gosto de ver e fazer na praia!
E é isto que devemos fazer na vida em relação às oportunidades. Temos que nos posicionar bem para que no momento que elas aparecem possamos pegar a oportunidade antes que ela quebre e vire apenas um turbilhão.Em outros casos, nos adiantamos tanto, tão ansiosamente, e nem turbilhão pegamos.... no máximo, se estivermos com a famosa água acima do umbigo, ficaremos em área onde não os pés não alcançam o chão.
Enfim, não é fácil pegar ondas, como não é fácil aproveitar oportunidades na vida.

Mas acho que viajei demais na análise e não falei de outras coisas que tanto amo na praia.

No inicio da noite o clima nas praias é romântico.
Ouvir o som do mar a quebrar
E ver casais juntinhos a caminhar
É capaz de fazer sonhos de amor despertar.

Bem, vou parando por aqui, mas vou pensando em outras coisas que gosto Na Praia (lembrei do livro de mesmo nome do Ian McEwan, sensacional como o mar!)

William - Guarujá - Pitangueiras

5 de fev. de 2010

O tempo e o Cronos

Depois de ler vários comentários repletos de citações da colega Lú, parei para pensar....

Eu sinceramente acho que Cronos não está nem ai com o tempo, nós é que nos preocupamos com ele demais.
Depois que parei de pensar muito nele fiquei em paz.... depois de anos de apressado pesar.

Ao mesmo tempo é engraçado como os tons e traços não necessariamente ficam melhores ou piores nos momentos de paz ou luta.... nem sempre a arte é ditada pelo nosso momento. Em momentos maus, a arte sai de forma diferente e muitas vezes cheia de profundidade também.

No mais, vou ficando por aqui em outras coisas mais pensando.

W.

31 de jan. de 2010

Mais um retorno

Mais uma vez retorno ao velho scriptorium.

Desta vez para elegê-lo como meu blog principal.
Não irei juntar conteúdos do blog recentemente recriado lá no UOL, mas também não o excluirei.

Nesse recomeço, recomendo o último texto da Luciana:
http://yannaywam.blogspot.com/

Ela fala de sua experiência com a educação artística, e invejoso que sou, e menos inventivo também, tenho a dizer que duas das lembranças mais vivas dos bons tempos de estudos ginasiais e colegiais são ligadas à educação artística.

No primeiro momento, lá estava a mais bela professora da escola trazendo as primeiras e últimas telas que eu pintaria.
Tela em mãos, tintas idem, fui à labuta.
O resultado para mim não foi dos piores, porém entre todos os alunos da minha classe o resultado era um só, conforme um dos diálogos que me lembro:
- William, o que é isso?
- Um coqueiro, dizia eu.
- Hummm....
- Parece um pé de maconha ou canabis (foi a primeira vez que liguei canabis com maconha!).

Ao chegar em casa com a obra de arte, pensei que seria compreendido... nada, novamente o pé de maconha veio à mente das pessoas.

Finalmente, num ato de coragem, no pequeno quarto minha mãe pendurou por anos meu quadro.

Quando mudei de Barueri e retornei para São Paulo, minha obra de arte foi para o cesto redondo...

O segundo momento foi anterior ao primeiro, mas me lembro bem dele!
À época, a mesma bela professora pediu para desenharmos livremente.
Lá fui eu, o jovem grão-mestre da arte moderna desenhar.
Não sei porque cargas d'água eu estava bastante sensível.
Lembro-me claramente de pensar em algo triste e em sofrimento. Admito que como bom melancólico hoje identificado, aquele sentimento ou sensação me persegue, e toda minha produção de vida, seja imagens (que nunca mais fiz) ou textos é afetada hora ou outro por ela.

Mas voltando....
Simplesmente radicalizei!
Fiz uma suástica nazista e coloquei um olho e lágrimas nela.
Hoje não consigo ser tão sintético como fui.

Esse desenho está em alguma pasta minha. Vou procurá-lo!

Luciana, veja o que você fez comigo, fez lembranças saltarem de dentro de mim!

Gostei!

Beijos e fica minha má escrita em homenagem ao seu grande texto!

William

4 de out. de 2009

Olímpiadas e realidade brasileira

JUCA KFOURI

Uma chance de ouro
Sediar uma Copa do Mundo de futebol e os Jogos Olímpicos pode fazer do Brasil o país do século 21
PRIMEIRO é preciso dizer que a escolha do Rio para sediar a Olimpíada de 2016 foi fruto de um trabalho brilhante. Pura ficção, mas brilhante.
Quem viu o Pan-2007 não tem por que acreditar em nenhuma das promessas feitas e sabe que aquela cidade maravilhosa que os filmes mostraram não existe. É claro, porém, que pode existir. Bastará gastar o que está previsto, de fato, nela.
Em segundo lugar, é preciso dizer com todas as letras e sem nenhuma ironia que nunca, jamais, o Brasil teve um presidente da República como Luiz Inácio Lula da Silva. Nunca, jamais e em tempo algum.
Nenhum governo antes tirou tantos milhões de brasileiros da linha de pobreza, diferença maior dele em relação a todos os seus antecessores.
Porque, de fato, um presidente preocupado com os excluídos, coisa que os outros só conheceram na teoria, enquanto Lula foi um deles, na prática.
E nenhum governo antes do dele conseguiu projetar tanto o Brasil internacionalmente, não à toa chamado de "o cara" pelo surpreendentemente derrotado poderoso presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.Sim, reitere-se aqui que a vitória carioca é a maior surpresa do colunista em quase 40 anos de exercício do jornalismo.
Mas Lula simplesmente não só trouxe os dois maiores eventos mundiais para o Brasil como, ainda por cima, se não fez da crise internacional apenas uma marolinha, tratou de impedir que fosse um tsunami por aqui.
Bem ele, o único que não falava inglês na comitiva quase totalmente da elite branca que o país mandou para Copenhague.
Fenômeno, sem dúvida, fabulosamente macunaímico, cercado por inúmeras histórias mal contadas, algumas que até envolvem assassinato, como a do prefeito de Santo André, Celso Daniel.
Desnecessário dizer que haverá roubalheira. Como haveria, já foi dito, também em Tóquio, em Chicago, em Madri e está havendo em Londres, que receberá a Olimpíada de 2012. Mas nós não vivemos nem nos Estados Unidos nem na Espanha nem no Japão. Nem na Inglaterra.
E desnecessário dizer que fiscalizaremos -e descobriremos uns 10% das tramoias. Ainda mais em ano eleitoral, como 2010.É difícil exercitar a esperança quando a experiência já ensinou o que precisava em relação aos que comandarão o projeto olímpico.
Gente que fechou as portas aos maiores empresários do Rio de Janeiro e que fez questão de acumular cargos, como faz Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB e do comitê organizador da Olimpíada.
Assim como, aliás, Ricardo Teixeira acumula os cargos de presidente da CBF e do comitê organizador da Copa do Mundo, diferentemente do que acontece e aconteceu em todas as outras partes do mundo, basta lembrar de Michel Platini, na Copa da França, ou de Franz Beckenbauer, na da Alemanha.
Lula não gostava dessa gente e a colocou no topo do mundo. Sem se preocupar em ter uma política esportiva para o país.
Se a Rio-2016 mudar tal estado de coisas, valerá a pena. A ver.

25 de ago. de 2009

Sobre a comunicação na internet

O propósito de produzir sons e digitar pensamentos não é mais submeter os recônditos da alma à inspeção e aprovação do parceiro. As palavras vocalizadas ou digitadas não mais se esforçam por relatar a viagem de descoberta espiritual.

Hoje, por meio de nossas conversas em chats, telefones celulares, serviços de textos 24 horas, orkut, facebook e principalmente twitter, a introspecção é substituida por uma interação frenética e frívola que revela nossos segredos mais profundos juntamente com nossas listas de compras.

Inspirado (e copiado) do Zygmunt Bauman em Amor líquido

11 de jul. de 2009

Retorno

Lendo outros blogs, invejo-os.
Reabro os meus, iniciado e não terminados como eu mesmo.
São reflexos de minha indisciplina, de meu ir e não chegar, de chegar e não continuar, de começar sem nunca parar, ou parar sem começar, enfim, uma infinidade de incoerências!
Mas não vim só falar de algumas características... vim iniciar novas postagens e organizar as idéias.

Não custa tentar mais uma vez!

W.

20 de jul. de 2008

Mais um sábado, mas é o Sábado!

Acordo de as 9 horas. Aquela preguiça. Deitado fico.

Meu pai liga. Minha mãe vem para casa.

Havíamos combinado de ir no famoso “Torra Torra” da Rua São Bento, próximo a Praça da Sé comprar uma cortina para meu quarto, pois há uma fresta noturna que atrapalha que ali dorme, menos eu. Mas tudo bem, concordo que um quarto sem cortina não fica tão bonito.

Já no Torra Torra, aquele povaréu! Indo e vindo, sacolas lá, aqui e acolá.
E eis que entram na nossa sacola meias infantis (eu sou infantil, mas o receptor destas meias será meu sobrinho, o Tales) de R$0,76, negócio de segurar peito feminino por R$2,50. Óbvio que me empolgo e vejo uma calcinha preta toda brilhante e digo: a Lili vai gostar! (na verdade ela iria odiar!).
Depois de uma hora olhando a cortina eu acho que escolho a mais feia, mas a compro mesmo assim.

O resto é rápido: instalo a tal cortina e vou comer uma bela feijoada, afinal, Will sem comer não dá certo. Depois da feijoada deixo a mãe no ponto de ônibus e volto para casa. Aqui fico na internet, converso um pouco aqui, um monte acolá e aparece a CrisTIANE.
Falo que estou sem fazer nada e marcamos de ir no Center Norte assistir um filme e comer (ela, não eu!).
Lá assistimos Hancok! Surpreendente o filme é bom!!! E para dizer que não comi nada, compramos pipoca e refrigerante! Companhia agradável, com sorriso idem, voltamos para nossas casas, não sem antes eu pegar uma carona até o metrô mais próximo.
Já no metrô venho ouvindo Extol (Death Metal). Quando saio do metrô, chegando em casa vejo uma banquinha montada. Era uma senhora vendendo bolos. Ela tinha bolo de morango e chocolate. Não resisto e compro um e feliz venho para casa!

O caminho se acabou, mas a história ainda não.

Ao sair do cinema, me veio uma felicidade enorme, algo que senti ser bem parecido com a forma como o C.S. Lewis foi “Surpreendido pela alegria”. Em questão de segundos, minha vida passou por mim, e a vida que pensava eu que havia acabado um dia, os sonhos que não pareciam mais ter chance alguma de se concretizar parece que dos calabouços foram soltos, e analisando os últimos três meses de minha vida vi que realmente eu renasci.
Não mudei muito, é fato, não me livrei de alguns problemas intrínsecos a mim mesmo, porém, algo novo acontece. E até uma meleca de música dos Titãs me disse algo. “É preciso saber viver”. Reaprendi a viver. Estou vivo. A luta continua, mas não mais estou preso no isolamento do pecado, da escravidão e da dor. Vivo estou e só posso nesse momento louvar ao Senhor! E foi sentado em uma banco do Metro que o choro que eu ia ter ao lado da Cris na saída do cinema (ia ficar chato... Risos!) saiu levemente... Um choro de felicidade, um choro que prenuncia outros choros durante a vida, tanto faz se de felicidade ou tristeza serão, mas serão choros de um ser vivente!